Para falar sobre carreira artística e contar um pouco sobre o espetáculo “O Avarento” da Cia. Caras e Bocas, entrevistamos o Jean Firmo, 30, ator e administrador. Jean começou a fazer teatro e a trabalhar com arte ainda quando criança inspirado nas novelas dos anos 90, mas foi apenas depois dos 20 anos de idade que decidiu entrar no curso profissionalizante e se aprofundar na arte que já o encantava na infância.
Quando você percebeu que a arte era mais que um Hobby para você?
Quando eu estava no curso profissionalizante no Belas e comecei a participar dos festivais e estar nos teatros. Naquela correria eu percebi que gostava disso e foi amor à primeira vista. Me formei, tirei a DRT e decidi que era isso que eu queria. Um dia eu estava no escritório da empresa em que trabalho e resolvi deixar tudo para ir ao Rio de Janeiro buscar oportunidades de trabalho com teatro.
Como foi a sua experiência de trabalhar com arte no Rio de Janeiro?
Eu pesquisei bastante e encontrei um albergue de artistas, onde fiquei e tive a oportunidade de conhecer gente que estava na mesma busca que eu. O albergue foi legal porque todo mundo se ajudava. Acabei entrando em uma companhia teatral e tive boas experiências lá. Ainda assim, todos os atores da companhia tinham outra profissão. Pois mesmo no Rio de Janeiro, o mercado de trabalho para atores é incerto, então acabei voltando para Joinville.
‘Tenho a minha fonte de renda, mas também faço o que eu gosto.’
E você tem outra profissão?
Então, foi bom ter a experiência no Rio, ver como as coisas funcionam de fato e não ficar pensando no “e se”. Voltei pra cá em 2016 e resolvi criar a minha companhia, a Caras e Bocas. Mas também voltei para o meu antigo emprego. Para mim é importante ter uma outra profissão para ter estabilidade financeira e até emocional. Tenho a minha fonte de renda, mas também faço o que eu gosto. Quem sabe um dia eu consiga trabalhar só com teatro!
Que dica você pode dar para quem está começando?
Que vai ser difícil, mas se você ama vale a pena. Não dá para esperar por incentivos, mesmo que da família. Porque todo mundo se preocupa, e sabe como trabalhar com arte pode ser difícil. De fato haverão muitas barreiras, mas se a pessoa realmente ama e quer isso, então deve correr atrás.
‘Quando a gente está estudando as coisas acontecem na responsabilidade da escola, na companhia não tem ninguém que faça por você.’
Quais as diferenças entre a sala de aula e a vida profissional?
Estudando você não tem toda a responsabilidade, mas na companhia todo mundo depende de você, a pressão é outra. Quando eu estava estudando no curso profissionalizante as coisas acontecem na responsabilidade da escola, na companhia não tem ninguém que faça por você. Você tem que se virar e correr atrás. E é o que estamos fazendo. Todos da companhia compraram a ideia e tudo que a gente conseguiu foi por contatos, inclusive aqui no Belas. A gente passa por essa correria, por esse nervosismo, mas vale a pena.
Como é trabalhar com ex-colegas de curso?
Nem todos são meus ex-colegas, mas todos se conheciam aqui do Belas ou de outros cursos profissionalizantes, então a sintonia do grupo está muito legal. Eu sempre falo com eles que eu vejo a companhia como uma banda, todo mundo precisa estar no mesmo ritmo. Todos os domingos estamos juntos, e é importante que a gente esteja bem como grupo.
Como foi a escolha do elenco?
Muitas pessoas que estão na peça eu não conhecia, foram indicações. O restante foram pessoas que estudaram no curso profissionalizante comigo. A Duda e o Fábio, por exemplo, participaram da peça “O Avarento” aqui na escola em 2014. Mas fomos bem cautelosos ao escolher as pessoas, porque todo o nosso retorno será de acordo com a bilheteria. Então precisávamos de atores comprometidos com o trabalho, mesmo sem ter o retorno financeiro imediato.
Todas estas conexões geram uma rede de trabalho e fomentam a economia criativa. Inclusive, na página da Caras e Bocas está escrito que o intuito da companhia é movimentar o cenário cultural da cidade. Quais são os planos para o futuro?
Nesse primeiro momento é estrear a peça e deixar ela em cartaz. Não pensei muito a longo prazo ainda, mas pretendo lançar novos projetos e produzir outras peças.
Esta foi a experiência do Jean, que se apaixonou por arte na infância e, ao descobrir que não consegue viver sem fazer teatro, tem trabalhado para fazer da arte sua fonte de renda e de alegria. Além dos alunos formados em cursos profissionalizantes e técnicos aqui da escola, o elenco de “O Avarento” conta com a participação especial do professor Ernst Klipp, que foi quem apresentou o texto de Molière à Jean quando este ainda estudava na escola. A comédia, dirigida e estrelada por Jean, traz a história de Harpagon, “um mão de vaca que tem o desejo constante de amontoar dinheiro e que é capaz de comercializar os filhos para benefício próprio”. O Avarento estréia dia 01 de dezembro às 19h no auditório do Belas Artes Joinville.
Quer saber mais sobre os cursos técnicos? Clique aqui!
Quer saber mais sobre os cursos técnicos? Clique aqui!por Heloiza Castro