Tempos modernos, instrumentos futuristas. Música é experimentação desde os tempos das cavernas. Um pedaço de madeira, um osso e uma pedra, elementos simples tornam-se meio de expressão, contam histórias. Não é de hoje que tecnologia é aliada à arte. Da invenção da roda aos hologramas, a história da arte está intrinsecamente vinculada às grandes invenções da humanidade. O primeiro computador, por exemplo, teve como modelo o tear de Jacquard, usado para combinar padrões de desenhos e cores em tecidos produzidos no século 17. E não é por acaso, afinal, o que é a arte se não uma eterna invenção? O alaúde, a khetara, a cítara, a vihuela, o violão e a guitarra demonstram com clareza não a “evolução” de um instrumento, mas o resultado de experimentações criativas.
Enquanto seres humanos, estamos sempre observando, conectando e reinventando. Uma prova são as invenções musicais dos últimos tempos. Equipamentos, softwares e acessórios cada vez mais modernos deixam filmes futuristas dos anos 90 longe das inovações de 2020. Há alguns anos, músicos PNEs já podem imprimir modificações 3D nos instrumentos e desde 2016 softwares de Inteligência Artificial começaram a criar trilhas sonoras, sinfonias e álbuns inteiros. Viagens no tempo e carros voadores a parte, a atualidade não deixa a desejar quando o assunto é música. Para ilustrar, a ASME (Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos) fez uma lista com 5 invenções tecnológicas que estão mudando o mundo da música:

1 – Guitarra Dobrável
“Os músicos sabem que viajar com um instrumento pode ser estressante: muitas companhias aéreas não os permitem como bagagem de mão e despachar um instrumento no valor de milhares de dólares com risco de danificação não é uma boa alternativa. Então, o músico/advogado apaixonado, Jonathan Spangler, pediu a ajuda de amigos bioengenheiros que projetavam substituições de quadril e joelho. A colaboração resultou na criação de uma guitarra pronta para viajar – uma guitarra elétrica com um pescoço dobrável que cabe em uma mochila e está sempre pronta para ir de um avião a um show. O Ascender, como é chamado o primeiro modelo das guitarras Ciari, tem um vidro para evidenciar a engenharia, disse Spangler.”
A guitarra é dobrada e desdobrada facilmente, mas precisa ser afinada antes do uso. Para os próximos anos, fica o desafio da criação de um equipamento com afinação automática.

2 – Robôs Musicistas
“Semelhante aos robôs industriais, os Robôs Musicistas destinam-se a aprimorar e ajudar os músicos humanos. A idéia de combinar emoções e vontades humanas com as capacidades do processamento robótico para produzir música inspirou uma equipe de engenheiros do Instituto de Tecnologia de Geórgia. O Shimon, por exemplo, é um robô que toca marimba e viaja pelo mundo se apresentando com humanos em concertos e festivais. Os quatro braços em movimento de Shimon seguram marretas que atingem as placas de tom para produzir melodias. Não apenas toca marimba, mas também ouve, entende e improvisa para criar harmonias significativas. Usando a aprendizagem profunda, os pesquisadores também ensinaram Shimon a tocar suas próprias composições. Enquanto aprende com milhares de músicas em todos os gêneros musicais, as próprias criações de Shimon tendem a referenciar harmonias clássicas e escalas cromáticas do jazz. Diferente das tecnologias de Inteligência Artificial baseadas unicamente em computadores, um robô como o Shimon trabalha em processo colaborativo com os músicos humanos, o que o torna mais aceitável nos conjuntos musicais.”
Agora vai uma lição pra quem sempre tem problemas em trabalhos de grupo: imite o Shimon e seja colaborativo!

3 – Sintetizadores de Bolso
“Em 1906, o público da cidade de Nova York se reuniu para ouvir música eletrônica tocada no Telharmonium, um instrumento musical eletromecânico que pesava 200 toneladas e custava 200.000 dólares. Várias décadas depois – em 1960 – os sintetizadores começaram a revolucionar a música popular. Interfaces e samplers digitais baseados em software assumiram o controle. No entanto, os teclados musicais e os módulos de som permaneceram grandes e complicados, até que surgiu uma nova geração de instrumentos eletrônicos que cabem no bolso.”
Com a aparência e o tamanho de uma calculadora, esses equipamentos multiplicam as possibilidades para os amantes de música eletrônica.

4 – Equipamentos de Ensino
“Segundo o Statista, portal alemão de estatísticas, apenas 10% das pessoas de 18 a 29 anos e menos de 6% das pessoas de 50 a 64 anos tocaram instrumentos musicais em 2018. Uma das principais razões para isso: aprender a tocar música é uma das experiências que mais podem ser assustadoras. Ao longo dos anos, cientistas e engenheiros tentaram facilitar as coisas. Uma das ofertas mais recentes é o Lumi, um teclado iluminado de 24 teclas de uma startup de hardware de música, Roli. O Lumi permite que os usuários sigam as luzes para pressionar as teclas sensíveis ao toque para tocar suas músicas favoritas. Depois de dominar algumas noções básicas, o teclado e o app da Lumi começam a ensinar notas, acordes e, finalmente, o “aluno” aprende as partituras.”
Um equipamento como esse ajuda a ativar a coordenação motora fina e mostra que o bom aprendizado é feito com leveza e ludicidade.

5 – Instrumentos com Acessibilidade
“Existe um movimento crescente entre criadores, pesquisadores e fabricantes para tornar a música mais inclusiva. Instrumentos existentes estão sendo modificados ou aumentados para atender às necessidades específicas de um músico com deficiência e novos instrumentos estão sendo projetados para uso sem as mãos ou com controle por respiração. Kelly Snook, ex-engenheiro aeroespacial da NASA, ajudou o cantor e compositor vencedor do Grammy Imogen Heap a criar luvas MiMu. Inspirado pelo trabalho de Elena Jessop no MIT Media Lab, este novo instrumento musical captura os movimentos das mãos e dedos, transmite os dados para o software que os mapeia para sinais de controle musical, como MIDI. Essa tecnologia vestível permite que os músicos controlem o som de seus instrumentos reais ou virtuais, ganhando voz através de movimentos e gestos.”
Já imaginou tocar uma música no violão com o “poder da mente”? Imaginar uma melodia que é imediatamente transposta para a realidade? Vamos concordar que isso está mais perto do que os carros voadores, mas ainda está longe de acontecer. Enquanto sua mente não tem super poderes, aproveite as tecnologias atuais e experimente a arte com todas as suas possibilidades.
Instrumentos como o violão e a guitarra, por exemplo, são o resultado de séculos de história. Tocar um instrumentos é mais do que fazer música, tocar uma guitarra ou um violão é experimentar a união de ideias, propósitos e tecnologias. Conheça nossos cursos e descubra suas infinitas capacidades:
CURSOS DE MÚSICA
Fonte: 5 Technologies Changing Music (2019) – Daria Merkusheva
Tradução e adaptação: Heloiza Castro